
A implementação em todos os perfis da amada e odiada ‘timeline’ recoloca o debate sobre uma característica marcante na gestão do Facebook: realizar mudanças e atualizações dos recursos frequentemente, mesmo que, muitas vezes, estas medidas não caiam no gosto dos usuários. Há uma preocupação evidente em manter o sistema do site sempre robusto, com algoritmos consistentes e que possam tutorar os usuários para que a convivência em rede seja de acordo com os interesses do Facebook. Entretanto, ao mesmo tempo, isto causa uma diminuição de autonomia do usuário, que (principalmente os brasileiros) está acostumado a reconfigurar a forma como usa as mídias sociais.
Este modo de gestão não é muito bem visto por muitos (inclusive por mim). Como sabemos, são diversas as acusações de vendas de dados dos usuários.
Entretanto, é possível que boa parte do sucesso do site esteja ligado a gestão cuidadosa. Esta foi uma das atitudes fundamentais que garantiram ao Facebook a capacidade nunca antes vista de obter lucro através das mídias sociais.
Vamos comparar, por exemplo, com o Orkut, que atualmente perde cada dia mais usuários para o Facebook: com seu crescimento inesperado, principalmente no Brasil, o Orkut transpareceu diversos erros técnicos que até hoje não foram solucionados. Só para citar um, as opções de comunicação, como os ‘scraps’, além dos tópicos nas comunidades, sempre foram totalmente suscetíveis aos spammers.
Quem nunca recebeu no Orkut um recado sobre um vídeo no qual apareceria em cenas quentes ou um cartão em GIF com borboletas rosa enviado pela tia, desejando um bom final de semana?
Foram estas características (para não dizer falha), além de certo ‘desdém’ com a popularização do site, que culminaram na criação do verbete ‘orkutização’.
Assim, é com o forte controle (dos processos, não dos conteúdos) que o Facebook busca alcançar o status de empresa mais valiosa da internet. A nova timeline vem com a ideia de mudar o conceito da informação em redes sociais, mas sempre com o objetivo de ser algo a ser explorado mercadologicamente.
O desafio do Facebook é conseguir propor mudanças que, ao mesmo tempo, sejam eficientes aos seus interesses e agradem aos usuários.
P.S.: Se souber ou pensar em algo legal sobre formas de utilização da nova timeline do Facebook, posto aqui!

